Concorrência internacional reforça qualidade dos queijos cearenses

Um grupo de 26 empresários cearenses da agropecuária reuniu-se segunda-feira, 25, com o deputado federal Danilo Forte, que tem marcante atuação no Congresso Nacional em diferentes áreas, com destaque para o setor elétrico (foi relator da Lei Antiterrorismo, do PL dos Devedores Contumazes, da PEC dos Banefícios, da Lei de Diretrizes Orçamentárias e do PL do Piso Salarial dos Professores, entre outros). 

Saudado por Tom Prado, coordenador do grupo, Danilo Forte começou sua fala abordando o que chamou de “avanço do crime organizado, que invadiu importantes segmentos da economia brasileira, incluindo o de combustíveis e biocombustíveis”. Ele disse que o governo tem de empenhar-se muito mais do que o faz hoje para impedir que essas organizações criminosas sigam embrenhando-se no tecido institucional do país. 

“O setor produtivo, ou seja, o empresarial, tem de ser fortalecido, pois é ele que dinamiza a economia do país na indústria, no agro, no comércio, no serviço, gerando emprego e renda e, além disto, recolhendo os impostos que sustentam a máquina pública”, disse ele, sendo, porém, aparteado pelo presidente do Sindicato da Indústria de Lacticínios, José Antunes, que bradou: 

“Neste país, senhor deputado, não mais somos empresários. Hoje, nós somos missionários, pois, para produzirmos, temos de enfrentar mil e um obstáculos, principalmente o do Custo Brasil, ao qual está sendo acrescentada agora a concorrência natural produzida pelo acordo Mercosul-União Europeia. Os queijos europeus, que são produzidos a um custo bem maior do que os nossos, começam a chegar aqui de forma bem competitiva, e isto é mais um problema.”

Danilo Forte foi em frente e sugeriu que não somente o setor de lácteos, mas toda a indústria e a agropecuária passem a utilizar melhor a comunicação “para que se faça essa pregação missionária”. 

Em seguida, ele falou sobre a importância da geração de energias renováveis, eólica e solar fotovoltaica, que crescem em ritmo de frevo no Nordeste, inclusive no Ceará, e que abastecerão o Data Center da ByteDance, dona do TikTok, em construção na área da ZPE do Complexo do Pecém.  

Danilo Forte lamentou que o governo, por meio do Ministério de Minas e Energia, tenha promovido, no último mês de março, um leilão de capacidade de reserva que privilegiou as energias fósseis, na contramão de tudo o que pregou o presidente Lula no discurso de abertura da COP 30, em Belém, no fim do ano passado. O resultado desse leilão – mesmo beneficiando o Ceará, pois se fará no Pecém a maioria dos grandes investimentos na construção de novas termelétricas carvão e gás natural – foi como um direto de direita no queijo dos empresários que apostaram e seguem apostando em empreendimentos que gerarão energias renováveis e limpas na região nordestina.  

Forte também lastimou o projeto de redução da jornada 6×1, mas argumentou: trata-se de uma iniciativa de robusto apelo popular, que deverá ser aprovada na Câmara dos Deputados, podendo, porém, encontrar alguma dificuldade no Senado. Nesse momento, o empresário Cristiano Maia, dono do Grupo Samaria, um conjunto de empresas com atuação na indústria de alimentos, na pecuária e no agro (é o maior criador de camarão do país), pediu a palavra para dizer: 

“Não tenho dúvida de que o consumidor, que somos todos nós, sairá perdendo com essa mudança, porque a indústria, o agro, o comércio e o serviço vão repassar esse novo custo para os preços dos seus produtos. O que farão os bares e os restaurantes? E os supermercados e as farmácias? E a rede hospitalar privada? E as empresas de ônibus? Os preços de tudo subirão e a inflação, que está com viés de alta, dará um salto.” 

O deputado Danilo Forte concordou com Cristiano Maia. 

Depois, o empresário João Teixeira apresentou ao parlamentar sua ideia do Arco Metropolitano, já transformada em projeto executivo pronto para licitação pelo governo estadual. Trata-se da rodovia de dupla pista que unirá a BR-116, em Pacajus, ao Porto do Pecém, cortando várias estradas federais e estaduais por meio de viadutos, tudo a um custo de R$ 1,5 bilhão.  

O parlamentar disse que esse projeto, de grande importância para a economia do estado e da Região Metropolitana de Fortaleza, poderá receber recursos do Orçamento da União por meio de uma emenda de bancada. Ao final, Danilo Forte foi prolongada e fortemente aplaudido pelos empresários, com os quais posou para fotos.  

PECBRASIL TERÁ ESTÁBULO PARA 300 VACAS LEITEIRAS 

Uma boa novidade haverá na PecBrasil, novo nome da antiga PecNordeste: do lado de fora do Centro de Eventos, na área que dá para a Avenida Washington Soares, será instalado um autêntico, moderno e confortável estábulo, ou seja, uma vacaria. Pois bem: é nesse local que será realizado o concurso leiteiro da PecBrasil 2016, que reunirá as 300 melhores vacas não somente do Ceará, mas de estados vizinhos. Virão juízes de outros estados para avaliar o concurso. 

Para que se tenha uma ideia da grandiosidade desse certame leiteiro, basta dizer que, no ano passado de 2025, esse estábulo abrigou apenas 100 vacas leiteiras. Neste ano, o estábulo terá uma área 3 vezes maior, o que exigirá mais investimento na instalação de ventiladores, de um piso coberto por serragem e de uma área própria para a ordenha.  

Outra novidade da PecBrasil 2026 serão os leilões de gado leiteiro e de corte, que serão realizados na área das docas do Centro de Eventos. A Federação da Agricultura e Pecuária (Faec) informa que virá a leiloeiro profissional para comandar o leilão. 

A Faec calcula que a PecBrasil 2026 receberá mais de 100 mil pessoas. Do interior do Ceará, virão 220 caravanas, trazendo produtores rurais de quase todos os 184 municípios cearenses.

Fonte: https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/opiniao/colunistas/egidio-serpa/concorrencia-os-queijos-do-ceara-ja-enfrentam-os-europeus-1.3766759
Diário do Nordeste – Egídio Serpa

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